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(DES)Acelarar pode ser a melhor escolha
Estar na vanguarda é o que desejamos e sempre será bom para nós, correto?

Equipe RDA28 de julho de 2008
Existem inúmeros casos comprovando que ser adepto de uma filosofia excessivamente retrógrada leva apenas à mediocridade, porém estar à frente de seu tempo pode oferecer riscos muito maiores. Um dos mais célebres exemplos dessa situação remonta à história de Galileu Galilei, que teve toda a sua obra proibida e perdeu a liberdade por estar entre os primeiros que sustentavam que a terra girava em torno do sol.

Muito se fala por aí sobre as grandes qualidades da inovação. Dizem que ela se traduz em vantagem competitiva, como o efeito solo no F1 de Colin Chapman que colocou a Lotus muito a frente da concorrência, ou que pode fazer milionários da noite para o dia como por exemplo Shawn Fanning que criou o Napster, colocou o termo “P2P” no dicionário das pessoas comuns e mudou o mundo da música, tudo isso de dentro de um dormitório de faculdade.

Estar na vanguarda é o que desejamos e sempre será bom para nós, correto?

Nem sempre. Existem inúmeros casos comprovando que ser adepto de uma filosofia excessivamente retrógrada leva apenas à mediocridade, porém estar à frente de seu tempo pode oferecer riscos muito maiores. Um dos mais célebres exemplos dessa situação remonta à história de Galileu Galilei, que teve toda a sua obra proibida e perdeu a liberdade por estar entre os primeiros que sustentavam que a terra girava em torno do sol.

Isso todo mundo sabe. O que escapa à alguns, é que tal tratamento Galileu só recebeu por ser amigo pessoal do papa. Quem levou a pior mesmo foi um camarada chamado Giordano Bruno, que foi queimado vivo por defender as mesmas ideias.

Desde o dia em que eu comecei a procurar patrocinadores oferecendo a exposição da marca deles em 20 carros e comecei a procurar vinte carros oferecendo aos pilotos os prêmios de cinco patrocinadores que tenho sentido que a arrancada vem pegando velocidade demais. Seja no momento em que oferecemos para os rachadores de rua uma oportunidade para se tornarem pilotos de verdade, quando a maioria deles não estava pronta para isso (e hoje sei que muitos jamais estarão), ou no dia em que tentamos mostrar à federação que o futuro das provas de arrancada estava nos carros de rua, quando a decisão deles foi afastar os amadores, através da cobrança de uma carteira de piloto profissional.

Em todos esses momentos, sinto que para puxar um grande grupo adiante não se pode correr rápido demais. Por outro lado, eu sempre busquei dar o exemplo. Jamais fui daquelas pessoas cujo lema é: “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. E esse método tem se mostrado mais eficaz. É mais razoável pedir para uma pessoa caminhar com você por uma trilha que você já conhece, do que pedir a ela que siga através do caminho ainda obscuro e desconhecido da extrema vanguarda.

Enquanto muitos tinham diversas teorias sobre como se deveria montar um motor, ou qual motor se deveria montar, eu troquei uma scooter que possuía por um motor GM 16v, que eu desmembrei e montei o cabeçote sem nenhuma modificação no meu Kadett, com a ajuda de meu irmão. Isso funcionou muito bem e o carro, apesar da precariedade em que foi para a pista, conseguiu o tempo de 12,2 nos 402 metros, o que naquele momento era um tempo respeitável.

Consequência disso foi que meu amigo RaFASTra que possuía um carro com o mesmo motor, viu como aquilo era simples, barato e dava resultado. Resolveu então ele próprio fazer a mesma coisa (com todas as suas habilidades profissionais de ADVOGADO) em seu Astra 1995. Ao ver o RaFASTra feliz da vida com seu Astra, seu vizinho João Timmers resolveu comprar um carro igualzinho ao dele e seguir o mesmo caminho. Já o CCCA e o Gustavo, também advogados, ao verem que o Rafa estava montando um carro ele mesmo na garagem do condomínio e ainda ajudando o Timmers, também resolveram se aventurar na empreitada contando com a ajuda do Rafa e daí surgiu o projeto 147. Ao ver o sucesso desse projeto, nosso amigo Carlo também foi em busca de um 147 para acelerar na pista e assim numa sucessão que ninguém poderá jamais prever onde acabará.

Eu considero essas pessoas corajosas, pois ao seguirem o exemplo de amigos, foram contra a maioria dos preparadores e “entendidos” que diziam que para performance só serve motor AP e que “piloto de verdade” não corre pela desafio. Mas mesmo entre os corajosos, há um limite que é determinado por uma infinidade de causas que são diferentes para cada indivíduo. Do orçamento e das prioridades pessoais até as inseguranças de cada um, existe um revolto mar de dúvidas e ideias. E em momentos de tempestade, nada melhor que um caminho seguro para terra firme.

Como grupo, temos indiscutivelmente andado na vanguarda da arrancada, mas muitas vezes isso fez com que fôssemos incompreendidos e vistos até como uma ameaça, quando tudo o que sempre quisemos foi fazer crescer o esporte, as provas, o mercado… Trouxemos muita inovação para um universo muito conservador.

É interessante olharmos para o futuro do esporte em 2009 e observarmos se talvez, do mesmo modo que um carro muito potente que arranca com muita vontade, não seja o caso de tirarmos um pouco o pé do acelerador, parando assim de patinar e consequentemente andando mais rápido.

Nossos maiores sucessos têm se dado através do nosso exemplo e talvez esse seja mesmo o melhor modo para conquistarmos cada vez mais o nosso espaço, a nossa evolução e o nosso crescimento. Não digo com isso, que devamos parar de criar inovações ou de pensarmos de uma forma não convencional. Mas sim que podemos mudar o foco de nossas iniciativas dos outros, para nós mesmos. Buscarmos valorizar o nosso campeonato, o nosso grupo, os nossos carros e consolidarmos assim ainda mais a nossa forma de fazer as coisas.

Fonte: Autor Desconhecido

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Equipe RDA